quinta-feira, 30 de junho de 2011


    É infinita e inconstante a vontade que tenho de dizer algo que possa mudar um estado, um alguém ou até a mim mesma. É impressionante o efeito anestésico e delirante que as palavras me causam, é um sufoco silencioso, porém um de meus bens mais preciosos. Tento esquivar-me dessa obsessão, mas é imensurável o amor que transborda do meu apetite voraz por tudo aquilo que se lê.
    Paradoxalmente vivo um dilema literário onde a palavra aquela responsável por me levar ao mais pleno êxtase da vida também martiriza-me com seus reais significados. Ler significa sentir, respirar, e viajar. Nada melhor do que embriagar-se com as palavras, bater no poste da inspiração, padecer nas linhas de um poema e morrer em um verso por acabar.
   Sinto como se a literatura me consumisse por inteira, arrancando-me toda a insanidade que flui da minha crença por tudo aquilo que se escreve. Ao fim de meu debate particular entre meu eu poeta e a linguagem em si, sinto-me vazia, minha solidão resume-se a falta das palavras, uma falta que cura-se com o tempo, que em meu conceito não passa do espaço entre uma oração,e outra.

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